Poemas da Caminhada - Lúcia Constantino
O canto da alma é a única coisa que fica. E o que dele fizermos...
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18/02/2009 18h20
A MULHER SIMPLES (Belíssimo poema, de José Balbino de Oliveira)

A Mulher Simples

 

Eu gosto da mulher simples
Que vai à feira e trás nos braços
O cheiro do coentro e da hortelã
Mulheres que plantam flores
Para perfumar a casa
E embelezar a rua

Eu gosto destas mulheres
Que tem gôsto de terra e mato
E que amamentam a cria
Com o milagre das mamas

É que estas mulheres singelas
Carregam uns olhos cheios de poesia
E mãos delicadas de acariciar
A carambola e o pessegueiro
E o ôvo que sai quentinho da galinha
Depois vem beijar os meus cabelos
Quando estou menino

Aquela que advinha o chá de poejo
No choro da criança
Sabe o mistério da rabanada
E do doce de cidra
Ainda guarda o segredo
Do mingau de araruta

Guardiã das cantigas de roda
Benzedeira, costureira
É ela que me faz olhar uma varanda
E pensar plenamente:
Aquí é um lar!

 

Autor : José Balbino de Oliveira (Joao das Flores)


 http://www.recantodasletras.com.br/prosapoetica/1442638

Publicado por Lúcia Constantino
em 18/02/2009 às 18h20
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
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14/02/2009 11h57
NOITE MÃE (Lúcia Constantino)
Noite mãe compassiva,
a ti entrego meu coração.
Em teus braços de estrelas
depõe minhas flores,
antes tão vivas,
para que ressuscitem do chão.
 
Noite mãe, nenhuma palavra soberba
descerá sobre minha fronte
tornando-a enferma.
 
Ouvirei dos teus silêncios, ó noite mãe,
a verdadeira música que apascenta
os ocasos dos meus horizontes.

Jardim etéreo aos portais dos séculos,
hoje tua luz reescreve um poema de vida
na minha dolorosa face de ontem.




Lúcia Constantino
(Direitos autorais reservados. Lei 9.610 de 19.02.98)
 

 
Publicado por Lúcia Constantino
em 14/02/2009 às 11h57
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11/02/2009 21h25
CANTARES V - EPIFANIA (Lúcia Constantino)
Ele passou por aqui...
Deixou....

o ar imantado de sonhos,
o vento bailando sobre as pedras,
cinzelando lembranças...

as dores adormecidas
entre os ciprestes,
e perfume nas camélias brancas.

Depois,
ao raiar da primeira hora,
partiu para a cidade do coração,
porque já os campos estavam plenos de sol,
e já despertavam os lavradores
para a realização da vida.

                                           - Lúcia Constantino

(Direitos autorais reservados, obras protegidas pela Lei 9.610 de 19.02.98).

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em 11/02/2009 às 21h25
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31/01/2009 02h48
'VERÉ POR TÍ " (Miguel de Unamuno)
«Me desconozco», dices; mas mira, ten por cierto
que a conocerse empieza el hombre cuando clama
«me desconozco», y llora;
entonces a sus ojos el corazón abierto
descubre de su vida la verdadera trama;
entonces es su aurora.

No, nadie se conoce, hasta que no le toca
La luz de un alma hermana que de lo eterno llega
y el fondo le ilumina;
tus íntimos sentires florecen en mi boca,
tu vista está en mis ojos, mira por mí, mi ciega,
mira por mí y camina.

"«Estoy ciega», me dices; apóyate en mi brazo
y alumbra con tus ojos nuestra escabrosa senda
perdida en lo futuro;
veré por ti, confía; tu vista es este lazo
que a ti me ató, mis ojos son para ti la prenda
de un caminar seguro.

¿Qué importa que los tuyos no vean el camino,
si dan luz a los míos y me lo alumbran todo
con su tranquila lumbre?
Apóyate en mis hombros, confíate al Destino,
Veré por ti, mi ciega, te apartaré del lodo,
te llevaré a la cumbre.

Y allí, en la luz envuelta, se te abrirán los ojos,
Verás cómo esta senda tras de nosotros lejos,
se pierde en lontananza
y en ella de esta vida los míseros despojos,
y abrírsenos radiante del cielo a los reflejos
lo que es hoy esperanza."

Publicado por Lúcia Constantino
em 31/01/2009 às 02h48
 
15/01/2009 14h41
SERRAT - Grande paixão
Joan Manuel Serrat sempre será para mim o poeta, o cantor, o compositor que mais amo há mais de duas décadas. Se alguma coisa que escrevo tem algum valor, devo ter aprendido com ele -- e com Gabriela Mistral, outra  paixão eterna.

Abaixo, uma canção que é um verdadeiro poema de amor, cantador por Serrat e que está no meu Orkut, para quem quiser conferir.

Serrat a canta em catalão e abaixo eu a traduzi livremente do espanhol para o português.

'PALAVRAS DE AMOR"  (em catalão, "Paraules d'amor)
(Joan Manuel Serrat)

Ela me quis tanto...
E eu ainda a quero.
Juntos atravessamos
uma porta fechada.

Ela, como  poderia dizer,
era todo meu mundo então.
quando no lar queimavam
somente palavras de amor.

Palavras de amor simples e ternas.
Não sabíamos mais, tínhamos quinze anos.
Não tínhamos tido muito tempo para aprendê-las,
acábamos de despertar do sono da infância.

Tínhamos o suficiente com três frases feitas
que haviamos aprendido de antigos comediantes.
De histórias de amor, sonhos de poetas,
não sabíamos mais, tínhamos quinze anos.

Ela quem sabe aonde stá,
ela quem sabe aonde anda.
Eu a perdi e nunca mais
voltei a encontrá-la.

Porém, de vez em quando, ao escurecer
de longe me chega uma canção.
Velhas notas,  velhos acordes,
velhas palavras de amor.


Palavras de amor simples e ternas....(etc.)

http://www.youtube.com/watch?v=wwQPDYQjqKk

Publicado por Lúcia Constantino
em 15/01/2009 às 14h41
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