UM TEMPO PARA PENSAR
I
Estou contando as flores.
Quero fazer da minha casa
um vaso.
II
Esqueci meu arco-íris
naquele dia cinzento.
Enrolou as cores e pintou o vento.
III
Sem ser primavera nem inverno
desceu minha alma
na estação do eterno.
IV
Galhos cortados do meu jardim,
lembram-me lenços sagrados
das flores que choram em mim
V
Prisioneira dessa alma errante,
colho rosas e espinhos
me perguntando o que vem mais adiante.
VI
Nas flores que a terra gera,
reencontro meu rosto.
E a alma, em cada luar de agosto.
VII
Paz Profunda nas janelas.
O céu não manda sinais.
Apenas essas estrelas me são leais.
VIII
Boa noite, meu mar sorri.
Bom dia, meu sol renasce.
A vida que já vivi é a minha prece.
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