MARÇO NO CORAÇÃO
"Talvez seja isso a eternidade
estarmos sempre como estávamos"
- Gabriela Mistral
E eu te chamo.
Como se chama uma flor, um perfume.
És um nome que eu amo:
o rumo de uns dias que não voltam mais.
Uma canção revelada
como uma flor na pedra de uma estrada.
De onde um dia vieste? do país das águas?
ou de uma sinfonia inacabada?
Eu te chamei
tantas vezes, que me perdi de mim mesma,
criatura filha de noites densas
teu imenso amor testemunhei.
Atravesso esses páramos,
feitos de sol, águas e nuvens cinzentas
com meu olhar que arde em caladas tardes.
Veja, aqui também é eternidade:
quando minha alma te enlaça,
se esvazia e se ausenta.
Foto: Lúcia Constantino