Como um lírio do campo
Ah, dor de alma, dor de confiar,
de esperar, de ser e não ser.
Fiel como colher uma flor,
a mão se estende para os sonambulos,
mas eles não querem despertar.
As estradas do espírito - se perde no passar dos dias.
Criaturas são espectros de cansaços
escalando os degraus das agonias.
Pelos ventos, de muito longe
ainda se ouve a canção da esperança
de algum sonho,
enfim desnudado na lembrança.
Meu velho espírito,
- apóstolo semelhante a um lírio do campo -
ergue a voz semeada no pensamento.
Germina nas águas de muitos céus
e renasce do próprio tormento.
Foto: Lucia Constantino