Poemas da Caminhada - Lúcia Constantino
O canto da alma é a única coisa que fica. E o que dele fizermos...
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O tempo em que dorme a memória
Ela dorme.
Tem preguiça de acordar. Ou medo?
É mais fácil fingir que esqueceu?
Ou esqueceu mesmo?

Tão comodo negar-se ao espelho.
Não sou eu. Jamais fui.
Aquela dos tempos sem nenhum cedo
não sou eu. Jamais fui.

A partilha é só uma ilha.
De lampiões, de botões, de aldeões.
Pra entorpecer a memória
dos filhos e filhas da história
que sonharam. E não voltaram.

A memória dorme.
Nesse tempo de águas celestes.
Nenhum recado alado.
Avessou as vestes.  





Lúcia Constantino
Enviado por Lúcia Constantino em 04/10/2025
Alterado em 05/10/2025
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