OFERENDA
Nos mesmos campos plantamos,
nas mesmas páginas desenhamos,
os mesmos degraus subimos,
os mesmos degraus descemos.
Cremos e desconfiamos.
Rimos e padecemos.
Juntos e eternos.
O rosto que me habita é o teu espelho.
Minha glória profana é a tua glória
meu desespero é o teu desespero.
Minha esperança é sempre contigo,
que me concede o que não espero.
Amanheço te saudando no meio do meu caminho.
Aquele que me desvela
o que pedi e o que não pedi
nas quimeras que persigo.
Há quanto tempo te busco nos jardins do sol?
Na oração do trigo?
Há quanto tempo pergunto
aos olhos daquelas estrelas distantes
qual será o país do nosso último exílio?
Imagem: Google