MANHÃ DE FRIO SOBRE O MAR
"E sigo a esteira
de uma paisagem de vidro:
navego-me inteira
sem barco ou veleiro
de mim mesma espelho."
(Olga Savary 1933-2020)
Esse frio sem sentido
carregando as luvas adormecidas,
os cachecóis naufragados
num mar verde-tristeza,
lembram-me dos percursos do sol
sobre as pedras da ruazinha
que me pareciam faróis
em festa marinha.
Triste esse tempo interior de afastamentos
do que tanto se amou e se perdeu
na ruminante passagem do tempo
onde o sonho se calou
pra esquecer o que viveu.
Que na luz de uns olhos destemidos
a esperança consiga se espelhar na solidão
e refletir somente os traços do rosto devolvido
daquela primeira estrela ao coração.
(imagem: Google)